segunda-feira, 12 de abril de 2021

O que são classes gramaticais?



Quando vamos estudar a língua, temos que fazer uma análise dela. Fazer uma análise é decompô-la em partes. Da mesma forma que analisando a água decompomos suas partes e descorimos que ela é feita de duas móleculas de hidrogênio e uma oxigênio, representado por H2O. Assim toda frase é composta de palavras que se relacionam entre si, pois uma recebe influência da outra. Esse relacionamento entre as palavras denominamos de sintaxe; tal como na molécula da água, onde hidrogênio e oxigênio se ligam para formar o composto químico H2O.


Pois bem. Até certo ponto, há uma certa dificuldade em se analisar isoladamente as palavras, já que elas no discurso, nas frases, estariam se relacionando. Mas, de qualquer modo, as palavras podem e devem receber um tratamento próprio também. Afinal, temos que colocar ordem na casa. E por isso cada palavra tem sua natureza única, sua peculiaridade, seu jeito especial e inconfundível.

Assim, não foi à toa que falei "colocar ordem na casa". Senão, vejamos... Imagine um quarto todo bagunçado. Não é difícil achar as coisas? E para arrumá-lo não devemos separá-las por itens? Então vamos supor que essas coisas espalhadas sejam só roupas. E você terá que separá-las e colocá-las cada uma em sua gaveta específica. Assim, calças vão para gaveta de calças; roupas íntimas para gaveta de roupas íntimas, camisas para gaveta de camisas e assim por diante..

Ora, imagine então que cada gaveta represente uma classe gramatical. Desse modo, substantivo iria para gaveta de substantivo, adjetivo para a de adjetivo, verbo para a de verbo etc. O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que as CLASSES GRAMATICAIS são a "arrumação" das palavras de acordo com suas maneiras de ser. E a classificação de cada palavra é o agrupamento em "gavetas" específicas.  Em gavetas específicas porque cada grupo de palavras se comporta de maneira diferente de outro. Do mesmo modo que não dá para colocar uma calça na cabeça. Isso, claro, se a pessoa não for doidinha.

Assim, podemos dizer que há 10 gavetas. Ou seja, 10 classes gramaticais. 10 comportamentos diferentes das palavras, que vão se reunir nas frases. E por isso mesmo podem (mas isso vamos ver depois) assumir outras classes a partir do momento que vão se organizando, adquirindo relações no texto. Todavia, o que importa de início é a essência dessas palavras, sua natureza primitiva. Básica. Eis as classes gramaticais:

Substantivo

Adjetivo

Advérbio

Verbo

Artigo

Pronome

Conjunção

Preposição

Numeral

Interjeição

Todas essas classes veremos depois. Mas o que quero salientar aqui (sem querer, evidentemente, complicar muito as coisas) é o seguinte: a palavra mesmo com sua característica específica, originária, pode, em contato com outra na frase, adquirir um modo de ser diverso. Por isso, é necessário entrar com mais um conceito aqui: o de SINTAXE. E o que é sintaxe? É a relação que as palavras mantém entre si, uma puxando a outra para sua esfera de influência, como o Sol puxa a Terra e a Terra a lua. Mas não vamos nos desesperar, pois meu intuito aqui não é embaralhar a cabeça de vocês e deixá-los doidinhos, enfiando calças pelas cabeças. Mas sim já deixar claro que as palavras podem mudar de classes gramaticais. E classes classes gramaticais são estudadas pela MORFOLOGIA. Só a título de exemplo:

A palavra "belo" é, inicialmente, um adjetivo. Adjetivo porque tem a função de qualificar e especificar um ser, dar suas características. Assim:

O céu é belo.

Como o céu é? Qual sua característica? Ele é BELO. Por essa razão é um ADJETIVO.

Agora vamos supor que um filósofo, Platão por exemplo, dissesse isto:

O belo é verdadeiro.

Aqui as coisas já mudam, né? Pois BELO agora DEIXOU de ser um adjetivo e passou a ser um SUBSTANTIVO. Por quê? Porque está nomeando algo. Passou, assim, a ser o nome de um ser abstrato, nomeia uma qualidade. Por isso é um substantivo abstrato. Além (como veremos em outra oportunidade) de ser o sujeito da frase. E assim VERDADEIRO passou a ser o ADJETIVO porque especifica como é o belo, qualifica-o.


Ufa... Vamos devagar, né? De qualquer forma, é preciso desde já ter algumas coisas já em mente para não cair em erros lá na frente. O estudo das classes gramaticais (morfológicos), apesar de ter certa autonomia, deve ser acompanhado, sempre quando se fizer necessário, do estudo da sintaxe. A isso dá-se o nome de MORFOSSINTAXE (morfologia+sintaxe). É claro que inicialmente é possível analisar as palavras sozinhas, em suas características primitivas. Mas elas não são só palavras isoladas como verbetes de dicionários; mais do que isso as palavras se inserem em frases (como vimos acima) e as frases em discursos. Mas isso, até certo ponto, não nos impede de saber que uma calça é uma calça e uma camisa uma camisa. Não nos impede de arrumarmos nossas "roupas-palavras" nas gavetas. Afinal, quem de vocês gosta de bagunça? Bem... Não precisam responder...



Prof. Ivonilton G de Souza


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