quarta-feira, 14 de outubro de 2020

 O Arcadismo


Vimos que a Literatura passa por vários ciclos que ora se apresentam de maneira mais objetiva, clássica e ora se apresentam de maneira mais subjetiva, simbólica. Assim é que temos na história da literatura ocidental moderna e contemporânea o Classicismo, o Barroco, o Arcadismo, o Romantismo, o Realismo e o Parnasianismo, o Simbolismo, o Pré-modernismo, o Modernismo (subdividido em várias fases) e a literatura contemporânea, ou pós-moderna. Desse modo, o Brasil sempre vai acompanhar essas tendências vindas da Europa. O que era de se esperar já que aqui continuamente fomos colônia. Mesmo com o Romantismo, época da independência política e de maior caracterização dos nossos valores culturais, ainda sempre seremos muito subservientes aos modelos vindos de fora.


Feitas essas primeiras considerações, vamos nos deter mais no nosso assunto específico do momento: o Arcadismo. Esta escola literária, com seu estilo próprio (ou seja, um mesmo padrão estético), vai surgir com o esgotamento do Barroco e a necessidade de se renovar a literatura. Ocorre que essa renovação vai buscar inspiração nos modelos clássicos. Isso significa que não é uma volta necessária ao Classicismo (que, aliás, aqui no Brasil nem houve), entretanto, é um reavivamento de suas concepções de arte. E quais eram essas concepções? Culto a forma, racionalismo, equilíbrio, retomada de deuses pagãos, inspirações greco-romanas etc.


Mas, em contraparte, o que havia de diferente nessa concepção de arte? Havia fuga para o campo, nostalgia, bucolismo, ideias iluministas etc.


Assim, é uma poesia que reflete os novos tempos. Alinhada aos acontecimentos do século XVIII. Ora, basta só dizer que foi neste século que tivemos a Revolução Francesa, em 1789, tivemos a Independência norteamericana, em 1776, e aqui no Brasil tivemos a Inconfidência Mineira, movimento separatista que culminou com a morte de seus rebelados, entre eles, o mais conhecido: Tiradentes. Conta ainda o fato que em torno deste século das luzes (movimento iluminista) houve um incremento nos grandes centros urbanos, o Absolutismo e o poder secular da igreja católica começavam a enfraquecer e a primeira revolução industrial dava passos largos, extinguindo sistemas artesanais de produção e incrementando a produção industrial, principalmente voltada aos tecidos. Diante disso, o feudalismo cedia aos novos tempos. E que tempos eram esses? Eram os ideais republicanos, de democracia, de direitos humanos universais, de equilíbrio entre os poderes. Com isso a burguesia estava cada vez mais pronta para se alçar no comando da história, era chegada a sua hora. É claro que isso não se deu da noite para o dia, houve idas e vindas, resistências, guerras. Mas era cada vez mais evidente que o feudalismo estava com seus dias contados, que mais cedo ou mais tarde a antiga nobreza teria que ceder. E o marco simbólico (pela grandeza do acontecimento) está na Revolução Francesa. Movimento que irá se propagar, através das conquistas napoleônicas, por toda Europa. É dela que tiramos a famosa frase que está no inconsciente coletivo de qualquer um hoje em dia: Igualdade, Liberdade e Fraternidade.


Assim, como veremos adiante a concepção da plêiade (grupo de poetas e intelectuais) Árcade se coadunava com esses valores humanísticos do iluminismo, que almeja chegar a uma concepção Universal do homem, através de filósofos divulgadores como Montaigne, Voltaire, Rosseau, Diderot, Locke, Thomas More e tantos outros no cenário europeu. Aqui no Brasil Colônia houve um influxo dessas idéias, que, aliás, eram sempre vigiadas e repreendidas pela côrte portuguesa. Apesar de ter havido um Marquês de Pombal, cujas medidas administrativas já traziam as novas concepções, mesmo que timidamente. Afinal é tudo um espírito de época. E por isso mesmo tivemos grandes poetas (e igualmente "conspiradores") como Thomaz Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa e mais uns tantos de menor envergadura. Em suas poesias estão sempre presentes a fuga para o campo, a nostalgia, a sátira (invariavelmente disfarçada), o equilíbrio formal, a racionalidade iluminista. Enfim, tudo isso veremos com uma lente de aumento e exemplificaremos com os textos desses ilustres escritores no próximo ítem. 


Prof. Ivonilton G de Souza

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