segunda-feira, 8 de março de 2021

Sobre ciência, sociedade e estudos da língua


Há muitos colegas, professores de Português e Linguística, que, talvez por influência do Estruturalismo (ou por uma postura científica, por um positivismo "isento" demais), são extremamente conservadores. Chomsky é uma excessão rara (e até contraditória, se confrontarmos seu ativismo com sua postura científica). 

Não basta estudar a língua somente em sua imanência, em seus pares opositivos, como bem queria Saussure e depois nessa mesma esteira Levy-Strauss na Sociologia, aniquilando com a história, fazendo dela um cristal. Ignorar a língua como uma troca social, pragmática, como labirintos psíquicos, com intenções discursivas, com seus vários falares (e disputas de classes até) é ignorar sua realidade viva e humana. Não há mais tempo para estudos da linguagem sem ser contextualizados socialmente. O Estruturalismo já produziu o que tinha que produzir, até Todorov sabe disso, fruto de uma guerra fria. Mesmo que tenha sido um movimento que descobriu um caminho próprio da ciência da linguagem - cuja importância não negamos -, nunca deixou de ser estéril. 

E aí caímos numa questão recorrente. Até que ponto foi realmente isento? Até que ponto muitos professores e pesquisadores da linguagem são isentos? Até que ponto a ciência é isenta? Não tomar partido da língua como atividade social é ser também político. Político de um establishment que a todo custo evita tocar no assunto, pois não pode ser derrubado. E assim cria-se - inconsciente ou mesmo intencionalmente - uma realidade abstrata em um mundo concreto.

Professor Ivonilton Gonçalves de Souza